Minicursos

1. A fronteira no processo colonizador americano: modos de pensar, modos de fazer.
Adriel Fontenele Batista – Mestrando UFRN

Este minicurso discutirá as principais acepções sobre o conceito de fronteira hoje discutido em pesquisas de uma historiografia debruçada sobre a questão do processo colonizador na América e no Brasil. Nesse sentido abordaremos os aspectos particulares da fronteira como espaço de trocas culturais, das relações de poder e das práticas sociais. Enfatizaremos as relações entre o europeu e a natureza americana, tal qual se apresenta nas idéias de Frederick J. Turner, Manuel Lucena Giraldo, Francisco de Solano e David Weber. No âmbito de uma historiografia brasileira sobre o período colonial, trataremos do conceito de fronteira e suas implicações na Historiografia da primeira metade do século XX, sobretudo nas idéias de Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre e Caio Prado Junior.

 

 

2.  Negócio, família e inquisição no nordeste colonial.
Angelo Assis - Doutor UFF/UFV
Janaina Guimarães - Doutoranda UFPE/ FFPP-UPE 

 

As relações entre família, religião e comércio, nos dois primeiros séculos de colonização, serão aqui analisadas através da participação de famílias cristãs-novas nos negócios do açúcar no nordeste colonial. Para tanto exploraremos os documentos relativos à produção e comercialização do açúcar, bem como os processos inquisitoriais que nos permitem traçar as redes familiares responsáveis por seu funcionamento. Pretendemos privilegiar alguns grupos por nós identificados nas Capitanias de Pernambuco, Bahia, Paraíba e Itamaracá, sobre os quais encontramos referências a respeito de atividades mercantis e de seus contatos com cristãos-novos ou judeus localizados em outras partes, através de um jogo de escalas, que nos permita analisar suas atividades no dia-a-dia, especificidades e destinos, atentando para as tensões entre os níveis macro e micro que possibilitem compreender a construção e funcionamento dessas relações.

 

 

3. A gestão da guerra na América portuguesa pós-restauração.
Luiz Guilherme Scaldaferri Moreira – Mestre UFRJ
Marcello José Gomes Loureiro – Doutorando UFRJ

O curso analisará, sob a ótica da “Nova História Militar”, a gestão das guerras do pós-Restauração, contra os holandeses no norte e a “Guerra dos Bárbaros”, pelos poderes centrais e periféricos constituintes do Estado Português. Trata-se, entre outros objetivos, de considerar a atuação da Coroa (Sistema de Mercês), dos seus Conselhos superiores (Ultramarino, Guerra e Estado) e da administração periférica (Governo Geral, demais ofícios régios e Senado da Câmara) nas guerras contra os batavos e nas lutas pela subordinação dos gentios hostis aos lusos. Assim, enfocaremos tanto a historiografia daqueles Conselhos e de sua dinâmica, como os diálogos que se estabeleceram por ocasião da conjuntura crítica do pós 1640, em especial com as elites da América lusa. Trataremos ainda das possibilidades iminentes de guerra, como, por exemplo, das propostas de invasão militar em Buenos Aires e da fundação de Sacramento. Em última instância, se debruça sobre a tessitura da política ultramarina lusa e pelo intricado Estado português. Abordaremos também a conjuntura e dinâmica européia e ultramarina, no XVII, com seus conflitos imperiais.

 

 

4. A Igreja na formação do Brasil colonial (1500-1779).
Marcos Antonio de Almeida – Doutorando ÉCOLE – EHESS/ UNICAP

A Igreja acompanha a expansão Ibérica desde o Tratado de Tordesilhas (1494). No Brasil, ela chega com os portugueses em 1500. Com a criação do regime de Padroado, Portugal e Espanha administram em nome da cúria romana. A expansão da fé católica na América Portuguesa tem características próprias, diferentemente da que aconteceu na América Espanhola. O objetivo do nosso minicurso é pensar sobre a evolução da Igreja no Brasil a partir das várias formas de cristianismos nascidas no Brasil, através de algumas instituições eclesiásticas que estavam a serviço da Coroa e da Igreja, do Trono e do Altar, para retomar a idéia de Riolando Azzi. Dessa forma, faz-se necessário pensar a Igreja no contexto das outras partes do mundo, mundos marcados pelo que Serge Gruzinski chama de “A colonização do imaginário”.

 

 

5. Ganhos e perdas: o tráfico de escravos e o seu impacto sócio-econômico sobre as economias atlânticas.
Gustavo Acioli Lopes - FACAMP/USP

Um dos debates historiográficos mais intensos das últimas seis décadas diz respeito ao papel que o tráfico transatlântico de escravos africanos desempenhou sobre o desenvolvimento ulterior das distintas sociedades e economias nele envolvidas. O tema suscitou análises bastante díspares: de um lado, houve quem apontasse o tráfico de escravos como um dos pilares das transformações sócio-econômicas na Europa ocidental que resultaram na Revolução Industrial inglesa, assim como sua relevância para explicar o subdesenvolvimento da África e o caráter deletério da relação entre as metrópoles e as colônias. Por outro lado, vários pesquisadores negaram a validade dos argumentos que estabelecem tais relações, apontando para os ganhos recíprocos entre aqueles envolvidos no tráfico escravista ou o caráter irrelevante do mesmo no que diz respeito à economia européia. O curso pretende apresentar estes debates por meio da historiografia que tem indicado as relações e o envolvimento dos vários agentes nos três continentes partícipes do comércio transatlântico de trabalho forçado. Para isso, discutirá alguns dos textos fundamentais, clássicos e da historiografia mais recente, e as implicações que sugerem para os vínculos entre o tráfico escravista e o desenvolvimento das economias atlânticas – em particular a da Inglaterra – e as economias africanas e da América colonial, com destaque para o Brasil.

 

 

6. Inquisição na América portuguesa: a Capitania de Pernambuco, os agentes e as fontes inquisitoriais.
Halyson Rodrygo Silva de Oliveira – Mestrando UFRN

 

Ao pensarmos nas novas tendências que a recente historiografia traz para a construção do conhecimento em História, devemos pensar ao mesmo tempo nos novos problemas, nos tratos diferenciados com as fontes que nos dão possibilidades de dar voz ao passado, de dar visibilidade e dizibilidade a uma realidade experimentada pelos agentes sociais de outrora. A atuação inquisitorial na América Portuguesa, ao seguir esta lógica, se mostra promissora no sentido de enriquecer as discussões referentes ao nosso contexto colonial. Propomos, nesse sentido, analisar a atuação do Tribunal do Santo Ofício na Capitania de Pernambuco (1593-1595). Ao instalar-se na Capitania, o Santo Ofício instaura uma nova ordem; relações antes harmônicas dão lugar ao clima constante de vigilância, de denúncias. Objetivamos nesse sentido por em discussão a atuação inquisitorial nesta Capitania. Lançar um debate historiográfico baseado em trabalhos consolidados na historiografia que trata do tema como os de Anita Novinsky, Sônia Siqueira, Ronaldo Vainfas, Laura de Melo e Souza. A partir da analise das Denunciações e Confissões de Pernambuco poderemos pensar no trabalho com as fontes inquisitoriais, como a documentação reflete as tensões e os caminhos trilhados pelo Santo Ofício em terras brasílicas. Nesse sentido, buscamos construir discussões enriquecedoras sobre atuação inquisitorial na Capitania de Pernambuco dos quinhentos, discussões, enfim, sobre nossa História Colonial.

 

 

7. Pardos e negros setecentistas: entre irmandades, etnia e exclusão social.
Janaína Santos Bezerra – Mestra UFRPE
Raquel Cristiane Muniz Florêncio - Mestranda UFRPE

 

O presente minicurso propõe-se a discutir o papel dos negros e pardos na sociedade colonial pernambucana no século XVIII, tendo como objeto de estudo as irmandades religiosas, em especial as de devoção a Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora do Livramento. A nossa proposta se volta para uma discussão em torno da posição social ocupada por estes sujeitos de cor no contexto colonial setecentista, diante da influência estatuto de pureza de sangue. O minicurso consiste em introduzir uma reflexão sobre o estudo das irmandades religiosas, considerando-as como um local de inserção dos pardos e dos negros, dentro de uma sociedade restritiva e excludente. Nesse sentido, pretende-se ampliar as discussões em torno dessas instituições, uma vez que elas não eram apenas um lugar de normatizar, acomodar, alienar e pacificar os sujeitos históricos, mas, sobretudo, um espaço de ressignificação, reivindicação social, inserção e resistência cultural.

 

 

8. Historiografia contemporânea sobre a América portuguesa.
Alberon Lemos - Doutorando UFPE
Juliana Sampaio - Mestre UFRPE.

 

A produção historiográfica acerca da América Portuguesa passou por um processo de renovação temática, analítica e teórico-metodológica nas últimas décadas do século XX; renovação essa que apontou para revisões interpretativas, ampliação das fontes utilizadas nas pesquisas e a utilização de novos conceitos. Nosso objetivo aqui é analisar essa nova historiografia e os desdobramentos acadêmicos dela advindos.

 

 

9. Para entender o Brasil holandês: uma discussão entre fontes e metodologias

Daniel Breda – Mestre UFRN/ Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco

 

Desde muito o período holandês da história do Brasil vem sendo foco de inúmeros debates. O tema ganhou contornos de um acontecimento exótico, sendo a mais longa permanência de colonização não ibérica no espaço que hoje forma o território brasileiro. A pesquisa sobre a Nova Holanda, também teve diversas conotações políticas, tendo muitas vezes papel chave na formação discursiva da identidade nacional. Durante o século XIX a historiografia positivista clássica brasileira debruçou-se largo sobre o tema, através de nomes como A. F. Varnahagen, Oliveira Lima e Alfredo de Carvalho; os holandeses ora eram postos como contraponto do patriotismo brasileiro – e pernambucano –, ora como orgulhosa amostra do diferencial da história pernambucana. Tomando contornos mais profissionais e menos ideológicos, a pesquisa sobre o período profissionalizou-se no século XX com pesquisadores como Charles Boxer, Herman Wätjen e José Antônio Gonsalves de Mello. Na segunda metade do século, surgiram algumas abordagens que buscaram diálogos das fontes e literatura sobre o período com algumas escolas e metodologias mais plásticas da história; Evaldo Cabral de Mello, Jonathan Israel e Pedro Puntoni são exemplos de historiadores com abordagens arrojadas que abriram as portas para diversos novos pesquisadores que em princípios do século XXI discorrem sobre o tema com curiosidade e amplo aporte teórico. Cada geração de pesquisadores contribuiu para a formação de uma das mais completas abordagens temáticas da história do Brasil, e o objetivo deste curso é abordar esta trajetória através do uso de fontes, agenda de pesquisa e recortes teóricos. O curso está aberto a curiosos e pesquisadores iniciantes ou iniciados que queira contribuir com o debate.

 

 

10. A idéia de natureza: extraindo História Ambiental de documentos coloniais.
Wesley Oliveira Kettle – Mestre UFPA

Quando o homem, ao longo do tempo, representa a Natureza, deixa rastros possibilitando que o historiador interprete parte de sua cultura. Nos relatos, crônicas, cartas e desenhos, expressou suas idéias e intenções de uma dada época, de um determinado lugar e de si. Propomo-nos apresentar como os documentos coloniais podem servir de fonte para uma pesquisa na perspectiva da história sócio ambiental, reconhecendo nela um campo de estudo rico e promissor, diante de questões atuais e emergentes que merecem a atenção do historiador como sujeito político ativo na sala de aula e no mundo. Em primeiro lugar  abordaremos as atitudes do homem perante a Natureza, sem deixar de lado a ciência como instrumento de conhecimento dela. Em segundo lugar como o tratamento dado à Natureza foi parte do jogo de poder durante todo o período colonial, criando ou desagregando redes de sociabilidade no mundo atlântico entre os séculos XV e XVIII. Discutiremos o paradoxo da Mãe Natureza admirável e terrível, salientando o aspecto semântico da constituição da palavra ao longo do tempo. E por fim apontaremos caminhos para a investigação da documentação colonial na perspectiva de uma história sócio ambiental, como por exemplos os diários de viagem, inventários e descrições das espécies do novo mundo.

 

 

11. Política e administração na América portuguesa: características, especificidades e estudos de casos.
Antonio Filipe Pereira Caetano - Doutor UFAL          
Célia Nonata da Silva - Doutor UFAL          

 

O presente minicurso tem por objetivo fazer uma análise do funcionamento da Administração e da constituição do poder no Antigo Regime, mas especificamente da Coroa portuguesa, bem como identificar os mecanismos de adaptações e ajustes no cotidiano político-social nas conquistas ultramarinas. Para isso, se lançará mão de um estudo comparativo entre duas regiões coloniais (Capitania das Minas Gerais e a Comarca das Alagoas) visando perceber de maneira as estruturas políticas foram implantadas e/ou negociadas "naquelas partes".

 

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